Parar de fumar não é força de vontade
No Dia Nacional de Combate ao Fumo, 29 de agosto, o Dr. Endrigo Neves desfaz a ideia mais cruel que existe sobre o cigarro: a de que quem fuma, fuma porque quer.
Tabagismo não é falta de força de vontade, é dependência química. A nicotina é uma das substâncias mais aditivas conhecidas, chega ao cérebro em poucos segundos e ativa diretamente o sistema de recompensa. Por isso o cigarro engana tanto: parece aliviar ansiedade, estresse e tristeza, mas boa parte desse alívio é o alívio da própria abstinência da nicotina.
Fumar não trata a ansiedade. Passada a fase inicial de adaptação, quem para tende a apresentar menos ansiedade, menos estresse, menos sintomas depressivos e mais qualidade de vida.
Existem tratamentos com eficácia comprovada: terapia de reposição de nicotina (adesivos, gomas, pastilhas) e medicações que reduzem a fissura, sempre com acompanhamento médico. O suporte comportamental aumenta muito a chance de sucesso, e o SUS oferece o tratamento de graça na atenção primária.
Recaída não é fracasso. A maioria de quem parou definitivamente precisou de mais de uma tentativa.
O que o Dr. Endrigo explica neste conteúdo
Se você já tentou parar de fumar e não conseguiu, eu quero te dizer uma coisa, o problema não é o seu caráter. Tabagismo não é falta de força de vontade, é dependência química e dependência se trata. Hoje, dia 29 de agosto, é o Dia Nacional de Combate ao Fumo e eu quero aproveitar a data para desfazer a ideia mais cruel que existe sobre o cigarro, a de que quem fuma, fuma porque quer.
A nicotina é uma das substâncias mais aditivas que a gente conhece, ela chega ao cérebro em poucos segundos e ativa diretamente o sistema de recompensa, e é por isso que o cigarro engana tanto. Ele parece aliviar a ansiedade, o estresse, a tristeza, mas boa parte desse alívio é na verdade o alívio da própria abstinência da nicotina, um ciclo que recomeça a cada cigarro. E tem um ponto que eu, trabalhando com saúde mental, faço questão de dizer, fumar não trata a ansiedade, pelo contrário, quando passa da fase inicial de adaptação da abstinência, quem para de fumar tende a apresentar menos ansiedade, menos estresse, menos sintomas depressivos e mais qualidade de vida, ou seja, aquele cigarro que parece acalmar, pode estar alimentando exatamente o que você tenta aliviar.
A boa notícia, parar de fumar hoje não é uma luta solitária na base do sofrimento puro, existem tratamentos com eficácia comprovada, a terapia de reposição de nicotina, adesivos, gomas, pastilhas e medicações que reduzem a fissura e os sintomas de abstinência, sempre com avaliação e acompanhamento médico. E o suporte comportamental, individual ou em grupo, aumenta muito a chance do sucesso quando combinado ao tratamento, inclusive pelo SUS, o Brasil tem um programa gratuito de tratamento do tabagismo nas unidades de atenção primária.
E se você já tentou e voltou a fumar, entenda que recaída não é fracasso, faz parte do processo. A maioria das pessoas que conseguiu parar definitivamente de fumar precisou de mais de uma tentativa. Cada tentativa vai trazer algum ensinamento sobre os seus gatilhos, nenhuma é em vão. Parar de fumar é provavelmente a decisão isolada de maior impacto que uma pessoa pode tomar pela própria saúde, física e mental.
Então se você fuma e já pensou em parar, que tal transformar essa data em um ponto de partida? Você não precisa fazer isso sozinho. Procurar ajuda para parar de fumar não é fraqueza, é o primeiro dia de uma respiração mais livre.