Perder o interesse pela vida tem nome: anedonia
No Setembro Amarelo, o Dr. Endrigo Neves reage a uma fala de Fernanda Torres sobre o medo de perder o interesse pela vida, e explica o que a saúde mental chama de anedonia.
Ela descreve um medo bem específico. Não é o medo de morrer nem o de adoecer, é o de ir se esvaziando por dentro e continuar funcionando, mas sem razão nenhuma pra nada.
Anedonia é a dificuldade de sentir prazer ou interesse nas coisas que antes faziam sentido. É um dos primeiros sinais procurados no atendimento quando alguém chega dizendo que está cansado, porque geralmente não é só cansaço.
É a pessoa que parou de ter vontade de sair, que faz tudo no automático, trabalha, cuida da casa e dos filhos, mas não sente mais gosto em nada disso. E como ainda está funcionando, ninguém percebe. Às vezes nem a própria pessoa.
O maior risco nem sempre é a crise que aparece de repente. Às vezes é esse apagar lento, dia após dia, sem ninguém notar. E não é questão de idade: pode acontecer aos 30 ou aos 70.
Se você reconheceu isso em alguém, ou em você, vale conversar com quem sabe olhar para esse tipo de sinal.
O que o Dr. Endrigo explica neste conteúdo
Eu tenho medo de perder o interesse pela vida, acho que esse é o maior perigo. E acho que isso pode acontecer com alguém em qualquer idade. Você pode viver 70 anos da sua vida e aos 70 anos você perder o interesse em estar vivo e os seus 10 anos que você tiver até os 80 vai ser um inferno. Isso pode acontecer aos 30... Perder o interesse que você diz é o quê? É não conseguir mais se relacionar com o mundo.
Essa frase que Fernanda Torres traz, eu ouço de maneira parecida várias vezes. Só que não na entrevista, e sim no consultório.
Ela fala de um medo bem específico, não é o medo de morrer, não é o medo de adoecer, é o medo de perder o interesse pela vida. De ir se esvaziando por dentro e continuar ali funcionando, mas sem razão nenhuma pra nada. E isso tem nome.
Na psiquiatria a gente chama isso de anedonia. É a dificuldade de sentir prazer ou interesse nas coisas que antes faziam sentido. E é um dos primeiros sinais que eu procuro nos atendimentos quando alguém chega me dizendo que está cansado.
Porque geralmente não é só cansaço. É a pessoa que parou de ter vontade de sair, que faz tudo no automático, trabalha, cuida da casa, dos filhos, mas não sente mais gosto em nada disso. E o pior é que como ainda está funcionando, ninguém percebe.
Às vezes nem a própria pessoa. Setembro é o mês da valorização da vida. E o motivo de eu trazer essa fala da Fernanda Torres é isso.
O maior risco não é sempre a crise que aparece de repente. Às vezes é esse apagar lento. Essa perda de interesse dia após dia sem ninguém notar.
Ela disse uma coisa que eu acho importante repetir. Você pode perder o interesse pela vida aos 30 ou aos 70. Não é uma questão de idade.
Então se você reconheceu isso em alguém ou reconheceu isso em você, vale a pena conversar sobre isso com alguém que sabe olhar pra esse tipo de sinal.
Se você está passando por um momento difícil agora e precisa conversar com alguém imediatamente, o CVV atende de graça, 24 horas por dia, pelo telefone 188.