Como é viver com TDAH no dia a dia
Parte 4 da série sobre TDAH. O diagnóstico explica o quadro, mas não explica como é viver isso todo dia. O Dr. Endrigo Neves descreve a rotina real de quem tem TDAH.
É a pilha de tarefas começadas e não terminadas em vários aplicativos. É a reunião importante esquecida mesmo com dois alarmes. É a fila de áudios não ouvidos porque abrir significa se perder.
É também o hiperfoco: quando algo interessa de verdade, dá para ficar horas sem parar, esquecendo de comer e de dormir. E aí vem a frase "se você consegue isso, não deve ser TDAH". É exatamente o contrário. O cérebro com TDAH não tem problema de atenção, tem problema de regular a atenção.
E tem a desregulação emocional, que é real: reações mais intensas, frustração que vai de zero a cem, dificuldade de soltar o que machuca.
Transcrição do vídeo
Tem uma coisa que o diagnóstico de TDAH não explica sozinho, que é como viver isso todo dia. É a pilha de tarefas começadas e não terminadas em vários aplicativos, é a reunião importante que você esqueceu mesmo com dois alarmes, é a fila de áudios não ouvidos porque você sabe que se abrir, vai se perder. É também a sensação de hiperfoco, quando algo te interessa de verdade, você consegue ficar nele por horas, sem parar, esquecendo de comer, de dormir, e aí as pessoas falam "mas se você consegue fazer isso, não deve ser TDAH", e é exatamente isso.
O cérebro com TDAH não tem problema de atenção, tem problema de regular a atenção. Quando tem dopamina o suficiente, o foco aparece, quando não tem, ele some. E o emocional também, a desregulação emocional no TDAH é real, reações mais intensas, frustração que vai de 0 a 100 rápido, dificuldade de soltar coisas que machucam.
TDAH não é só um déficit de atenção, é uma forma diferente de o cérebro funcionar com desafios reais que merecem acolhimento e tratamento. Qual dessas situações você mais se identificou? Me conta aqui!