O que é felicidade? O que a ciência responde além da psicologia
O Dr. Endrigo Neves abre um livro que comprou em 2015, quando estudava para o vestibular, para voltar a uma pergunta que nunca saiu: o que realmente faz uma pessoa feliz.
A capa já provoca. Uma criança descalça, empinando pipa, no meio de uma comunidade. Ela parece feliz, mas quanto dessa felicidade depende das escolhas dela e quanto depende das oportunidades que a sociedade oferece a ela?
O autor é um cientista social, não um psicólogo. O livro mostra que felicidade também é estudada pela economia, pela sociologia, pela filosofia e pelas ciências políticas, porque ela não depende apenas do indivíduo, depende também da sociedade em que esse indivíduo vive.
Renda, saúde, segurança, educação, confiança nas pessoas, trabalho, qualidade dos relacionamentos e sentimento de pertencimento aparecem como fatores associados ao bem-estar.
A conexão com a saúde mental é direta. No consultório não se atende cérebros isolados, se atende pessoas, que vivem dentro de famílias, trabalham em empresas, enfrentam violência, solidão, desemprego, vínculos saudáveis ou relações adoecidas. Tratar vai muito além de prescrever: o remédio tem papel indispensável quando bem indicado, mas não substitui vínculo, propósito, segurança ou pertencimento.
Uma ressalva feita no próprio vídeo: algumas conclusões do livro, publicado em 2013, precisam ser revisitadas à luz de evidências mais recentes. Esse é assunto para um próximo vídeo.
O que o Dr. Endrigo explica neste conteúdo
Eu comprei esse livro em 2015, quando eu estudava para o vestibular, e naquela época uma pergunta já me acompanhava, o que realmente faz uma pessoa feliz? Alguns dias depois de assistir uma aula do professor da UFG e psiquiatra, Sávio Teixeira, essa pergunta voltou, então eu resolvi abrir esse livro novamente. Mas antes mesmo de abrir o livro, a capa já conta uma história, uma criança descalça, empinando pipa, no meio de uma comunidade. Ela parece feliz, mas a capa também nos leva a fazer outra pergunta.
O quanto de felicidade depende das escolhas dessa criança, e o quanto depende das oportunidades que a sociedade oferece a ela? Eu acho que essa é uma grande provocação desse livro. E esse não é um livro de psicologia. O autor é um cientista social.
Ele mostra que felicidade também é estudada pela economia, pela sociologia, filosofia, e pelas ciências políticas. Porque felicidade não depende apenas do indivíduo, ela também depende da sociedade em que esse indivíduo vive. Ao longo do livro, aparecem fatores como renda, saúde, segurança, educação, confiança nas pessoas, trabalho, qualidade dos relacionamentos, e até sentimento de pertencimento como elementos associado ao bem-estar.
Em outras palavras, não basta perguntar, o que eu posso fazer para me sentir mais feliz? Também precisamos nos perguntar, que tipo de sociedade ajuda as pessoas a viverem melhor? E foi nesse momento que eu conectei esse livro com a psiquiatria. No consultório, eu não atendo cérebros isolados, eu atendo pessoas. Pessoas que vivem dentro de famílias, trabalham em empresas, enfrentam violência, solidão, desemprego, vínculos saudáveis ou relações adoecidas.
A saúde mental sempre acontece dentro de um contexto. É por isso que tratar uma doença mental vai muito além de prescrever medicamento. O remédio tem um papel indispensável quando bem-indicado, mas ele não substitui vínculo, propósito, segurança ou pertencimento.
Quase 10 anos depois de comprar esse livro, eu continuo fazendo a mesma pergunta. Não porque eu não encontrei uma resposta, mas porque hoje eu entendo que felicidade não é um destino. É o resultado da interação entre a nossa biologia, a nossa história, as nossas relações e o mundo em que vivemos.
E é exatamente por isso que estudar felicidade também é estudar saúde mental. E agora uma observação importante. Algumas conclusões desse livro precisam ser revisitadas à luz das evidências científicas mais recentes.
A relação entre casamento, renda, religiosidade, trabalho e felicidade é muito mais complexa do que parecia quando essa obra foi publicada, lá em 2013. Mas eu acho que esse tema rende um próximo vídeo.