Quem foi Nise da Silveira
O Dr. Endrigo Neves conta a história de Nise da Silveira, a mulher que ensinou a psiquiatria brasileira a escutar o sofrimento de outro jeito.
Nise nasceu em Maceió, em 1905. Formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1926, a única mulher de sua turma, numa época em que mulher na medicina era exceção. Anos depois, num período em que muitos pacientes eram submetidos a métodos agressivos, ela se recusou a aplicá-los e escolheu outro caminho: escuta, vínculo, arte e dignidade.
No lugar de reduzir a pessoa ao diagnóstico, ela fazia outra pergunta: o que essa pessoa está tentando expressar? No Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro, criou ateliês de pintura e modelagem dentro da terapia ocupacional. Pacientes vistos como incompreensíveis começaram a se comunicar por imagens, cores e símbolos. Dessas produções nasceu o Museu de Imagens do Inconsciente.
O que o Dr. Endrigo explica neste conteúdo
Você sabe quem foi a mulher que ensinou a psiquiatria brasileira a escutar o sofrimento de outro jeito? Nise da Silveira nasceu em Maceió, em 1905. Formou-se em medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia em 1926, a única mulher de sua turma numa época em que mulher na medicina era exceção, e anos depois, num período em que muitos dos pacientes eram submetidos a métodos agressivos, ela se recusou a aplicá-los e escolheu outro caminho, o da escuta, do vínculo, da arte e da dignidade. No lugar de reduzir a pessoa ao diagnóstico, Nise fazia outra pergunta, o que essa pessoa está tentando expressar? No Centro Psiquiátrico Pedro II, no Rio de Janeiro, ela criou ateliês de pintura e modelagem dentro da seção de terapia ocupacional, e aconteceu algo poderoso, pacientes que eram vistos como incompreensíveis começaram a se comunicar por imagens, cores, formas e símbolos.
Dessas produções nasceu o Museu de Imagens do Inconsciente, um marco na relação entre psiquiatria, arte e ciência. E atenção, Nise não romantizava o sofrimento psíquico, ela apenas recusava a ideia de que pessoas com intenso adoecimento mental deveriam ser silenciadas, abandonadas ou tratadas sem humanidade. Talvez a maior contribuição de Nise da Silveira tenha sido lembrar a psiquiatria de uma coisa simples: antes de existir um diagnóstico existe uma pessoa, e onde existe pessoa precisa existir escuta, vínculo e dignidade.